quarta-feira, 22 de abril de 2009

bom dia, tristeza

Esse desenho é a capa do livro cujo título é o post de hoje. Eu queria ter falado da minha segunda-feira, que não foi de todo ruim, mas então veio a terça que não foi boa e enfim, odeio feriados. Pelo menos por enquanto, quando não têm razão de ser pra mim e mais me chateiam do que trazem lazer, conforto e alegria. Mas isso porque sou eu, acho. Uma pessoa razoavelmente normal e feliz pensaria diferente. Não que eu seja completamente triste, mas tem dias e dias, fases e fases. No momento, tá bem badtrip. Porém a vida continua e por meio de táticas vamos reestabelecendo o foco e dando prioridade às coisas mais práticas, pra ver se desanuviamos um pouco. Não sei por que estou falando na primeira pessoa do plural. Eu sou só uma, né. Então, isso é o que eu faço. Ou pelo menos tento fazer.
Ontem meu dia foi ruim, até. Terminou com choro. Eu parei um pouco, até cheguei a rir de algo muito engraçado que, outro dia, eu conto aqui. Mas depois deitei pra dormir e voltei a chorar. Dormi chorando. Acordei com os olhos inchados, caminhei com os olhos marejados. Fui trabalhar e, durante o trabalho e conversa com a minha chefe, chorei mais um pouco. Chorei indo embora, pegando ônibus. Claro, na maior discrição possível. Chorei almoçando e assim foi o dia todo. Ainda é agora, em menor quantidade, acho que porque secou um pouco a fonte.
Minha mãe até me fez um agrado no final do dia porque eu estava pra baixo (mas lógico que eu pedi, né), ao que meu irmão afirmou também estar pra baixo para poder participar com maior gosto da sua parte no mimo. Claro que ele estava brincando. Ele tem serotonina pra dar e vender. Raro é ver esse piá pra baixo.
Já eu, tou ficando grilada. Volta e meia eu estou dando bom dia pra tristeza. Ninguém aguenta, ninguém merece.
Enfim, tou postando pra dizer isso, que hoje eu chorei horrores e que amanhã eu espero sorrir mais.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

sona

O problema de deixar pra escrever antes de dormir é o de parecer que eu estou sempre com sono (não que isso seja exatamente uma inverdade). Mas eu estou com sono agora. Por isso deixo pra amanhã qualquer texto que eu eventualmente postaria aqui hoje. Good night, sleep tight.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

low battery

Tive um sonho muito doido e, ainda nele, eu pensei "Ah, eu tava sem nada pra escrever no blog, bom que agora eu tenho uma boa história pra contar!" Não vou contar o que sonhei porque só seria interessante se tivesse acontecido de verdade. Por ter sido em sonho torna-se algo bem besta.
Fato é que acordei e constatei que hoje meu dia foi malemá normal, sem grandes eventos. Mas assim são os dias, um depois do outro. E não se vive de eventos, né? Cotidiano tá aí pra quem quiser e souber aproveitar bem fazer a festa.
Daí que de tardezinha eu fui à médica. Endocrinologista. Fui ver se estava tudo bem com meus hormônios. Pena que não basta ela olhar e dizer: "Você tem isso ou aquilo." Precisa pedir uma pá de exames e retornar pra ver os resultados etc. etc.
Fui a pé, é pertinho de casa. O clima estava bom, relativamente fresco, tendo em vista que nossa cidade é horrores de quente. Com trilha sonora dos Los Hermanos - eu tou puro eles esses dias - fui caminhando até lá. Como imaginava, consulta rápida, muitos exames pedidos e voltei pra casa. A avenida estava lotada de carros. Uma loucura. Ainda bem que estava a pé.
Cheguei em casa, esperei meu irmão e fomos pra aula. Chegando lá, o professor já havia começado, era aula de Medicina Legal. Aula de Medicina Legal é um descanso para meu cérebro, porque é a aula mais peculiar de todas. Estudamos os tipos de materias cortantes, contudentes, pérfuro-contudentes, os naipes de projéteis, cortes, vemos fotos de cadáveres, de ferimentos etc.
Sendo assim, cheguei até mais leve na aula, né. Comentando algo aqui e ali e, geralmente nesta aula, eu e meu amigo viajamos horrores nos comentários, o que acaba, quase sempre, em algumas risadinhas. Num desses comentários minha amiga pediu pra eu ficar quieta, por favor, porque hoje estava muito animadinha, conversadeira. Nem foi tão assim, mas deixa ser.
Depois tivemos um longo intervalo pois o professor de ECA demorou pra chegar. Enfim ele chegou e começou a aula, sempre muito boa, por sinal. Mas, na medida em que foi passando a aula, eu fui ficando mais quieta, mais quieta, até que meus olhos estavam a meio farol. Claro que meu amigo não deixou por menos e comentou que antes eu estava animada e então séria demais. Argumentei que decerto minha pressão caiu, ou estava com menos açúcar no sangue. Ou seja, low battery. Quando fico assim, fico até triste, não consigo falar, participar de nada. Ai, é o maior cansaço, sono, preguiça.
Cheguei em casa e comi um pouco, pra ver se melhorava. Melhorou por uma meia hora. Agora já estou o maior cansada e com sono novamente. Hora de recarregar a bateria.

terça-feira, 14 de abril de 2009

amortecedores

O problema, na verdade, não é ajudar os outros ou deixar de ajudá-los. A dificuldade reside em saber o nosso limite, o quanto estamos bem para ajudar os outros. É muito hard auxiliar alguém quando não temos de onde tirar, quando estamos no limite ou abaixo dele. Pode parecer egoísmo mas, quando nos dispomos a ajudar mesmo estando sem reserva, acabamos pouco ou nada ajudando.

Aconteceu comigo esses dias. Não queria, não estava bem. Mas por insistência, fui. Foi horrível. Em nada ajudei e muito mal eu fiquei. Com peso e tristeza no dia seguinte, sem ao menos saber bem o porquê. Hoje, refletindo, percebi. Foi porque eu não podia ajudar e nenhuma diferença faria minha companhia. Aliás, se não tivesse ido e ficado em casa, faria toda a diferença. Pra mim.

Mas não pude evitar. Ou pude e não evitei. Precisava passar por isso? Não, não precisava. Entretanto, assim eu vou aprendendo. Aprendendo a respeitar meus limites. A saber que, por mais que eu queira ajudar ou estar com alguém, se eu não estiver preparada, abastecida, provavelmente minha influência será nula.

Por isso precisamos cuidar dos amortecedores. São essenciais à nossa vida. E por amortecedores entenda-se tudo aquilo onde podemos encontrar satisfação. Ou aquilo com o que seria bom que estivéssemos satisfeitos. Nossos amigos, trabalho, estudos, família, relacionamento, saúde, lazer etc. Claro, é difícil ficarmos 100% em tudo isso. Mas se focamos nossa satisfação em apenas um aspecto, todos os outros serão prejudicados pois, mesmo sabendo de sua importância, não conseguiremos dar atenção e cuidado a eles e, consequentemente, estaremos mais propensos a abalos. E aí, como ajudar os outros?

- Noffa, que viagem!
- Né!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

tulipa


Hoje acordei bem cedo pra caminhar. Agora eu nem me importo em acordar tão cedo porque não estamos mais no horário de verão. Quando assim era eu ficava bem irritada em ter que acordar cedo. Tudo tão escuro, ainda. Como quando acordamos de madrugada para viajar, sabe como? Então, desse jeito. Agora é mais tranquilo. Claro que se eu tivesse opção, acordaria mais tarde. Mas a verdade é que não tenho. De tarde não gosto porque a avenida fica cheia de carros, muito barulho, muita poeira e ainda tenho aula em seguida. Aí nem rola.
Caminhar de manhã é bem agradável. Hoje fiquei com um pouco de medo porque o céu estava bem fechado e continuou escuro por um tempo. Mas logo clareou. E o nascer do sol estava lindo como sempre. Bom que posso curtir porque ainda não tem construções em todos os terrenos, fazendo com que a vista se estenda por um bom pedaço.

Depois de pronta para ir trabalhar, desci com minha mãe enquanto esperávamos minha carona, o Lord. Na mesinha do nosso prédio tinha um arranjo de flores que alguém trouxe de algum casamento, provavelmente, e deixou por lá.

Então comecei a escolher as mais bonitas, ou menos murchas, como queiram, e juntá-las, como formando um pequeno buquê. Ficou bonitinho, até. Levei para minha chefe. A maioria não deu pra salvar, estavam murchas, já. É triste ver flor assim. Não que eu chegue a me entristecer, mas não é algo que me agrada. É ruim porque a duração do vigor delas é temporário. Melhor seria se ficassem plantadas num jardim. Sem contar que rosas não têm cheiro. Sempre que vejo uma, dou uma cheiradinha, pra ver se, dessa vez, sinto algo. Mas nada. É tão perfumosa quanto a grama. Pra mim tem cheiro de grama. E nem de longe são as mais bonitas. Não sei qual é a das rosas. Porque elas são tão admiradas e se fazem músicas e poemas sobre elas.

A minha flor preferiada é a tulipa, por isso coloquei a foto dela aí. Inclusive foi a primeira música que eu aprendi a tocar no teclado. Dó, ré, mi. Dó, ré, mí. Sol, mí ré, dó, ré, mí, ré. Dó, ré, mi. Dó, ré, mi. Sol, mí, ré, dó, ré, mi, dó.

Musiquinha bem besta, diga-se de passagem. Não é à toa que eu nunca esqueci. Fácil assim. E não, não toco nada de teclado. Fiz um ano e meio de aula e descobri que não levo jeito pra coisa. Sou bem desafinada, também.

Mas enfim, flores. Já ganhei tulipas, uma vez. Do meu irmão mais velho, quando voltei, doente, do exterior. Lindas, lindas, lindas. Adorei. Pena que morreram.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

só mais um lamento entre tantos já feitos

Como lamentar sem ser pedante? Como questionar o porquê das coisas sem ter dó de si mesmo? Como fazer a famosa pergunta “O que há de errado comigo?” sem parecer autocomiseração?

É, acho que não tem como. E mesmo assim, continuamos nessa árdua tarefa de tentar compreender o porquê de as coisas serem como elas são e nós, as vítimas por elas assim serem.
Tomando por base um texto da Jane Austen, que diz:

Era mais forte sozinha, e tal era o apoio que lhe propiciava o seu bom senso, que sua firmeza era tão inabalável, e sua aparência tão constantemente alegre quanto era possível face a desgostos tão penetrantes e recentes.

É diferente quando outra pessoa diz isso sobre você ou qualquer outro, que seja. Soa mais digno, como reconhecimento. Não me lembro de alguém ter dito algo parecido com isso para mim. Creio que foi mais uma conclusão a qual eu cheguei ao ler esse trecho e perceber que esta era, de certa maneira, minha realidade.

Não que eu não tenha com quem contar, como amigos ou minha mãe. Mas nem sempre nos sentimos confortáveis em nos abrir e nem sempre as pessoas possuem as respostas para nossas dúvidas. O que, via de regra, é bem comum acontecer comigo.

Muitos se sentem à vontade para falar comigo sobre seus problemas. E eu não me importo, pois em muito me agrada ser útil aos outros. E, pra falar a verdade, o problema dos outros não é nada se comparados aos nossos (vistos por nós mesmos). Eu posso estar super mal e, mesmo assim, se alguém vier se abrir comigo, eu tenho o que falar para pessoa. Não que eu tenha fórmulas prontas ou sempre tenha algo a dizer. Às vezes só querem ser ouvidas. E eu gosto de ouvir os outros. Sem contar que raramente o que eu falo é levado em conta. Afinal, não falo nada de excepcional ou que alguém já não tenha dito antes. Nada há de novo embaixo do sol. Inclusive os problemas. Eles se repetem. Briga em família, morte de alguém próximo, doenças etc. Não que, por isso, eles sejam menores ou menos dolorosos.

Uma coisa que eu aprendi é que cada um tem sua porção. Alguns têm uma vida mais amarga e nem por isso são menos felizes. Outros mal suportam pequenos dissabores. Sempre achei que minha porção não era das mais fáceis. Quando lembro tudo o que passei, continuo achando que minha vida não foi muito easy, de fato. Mas nem por isso foi ruim ou em vão. Apenas foi. E é pena que eu ainda não tenha encontrado alguém com quem dividir todas essas histórias. Acabo distribuindo, em doses homeopáticas, um pouco da minha história aqui e ali. Mas já percebi que nem todos têm paciência para (me) ouvir. Mas sei que se leva um tempo até termos nossas histórias valorizadas. Não quero banalizar minhas experiências. Então, se for pra dividir, que seja com aquelas pessoas que, de alguma maneira, fazem parte da minha vida e da minha história.

E não digo isso da boca pra fora. Muitas vezes já contei algo que era muito relevante pra mim e tive que interromper minha fala, seja por distração, desinteresse ou porque tinha algo mais importante acontecendo. Nessas horas eu penso “Perdi a oportunidade de ficar quieta.”

Mas eu continuo falando e perdendo a oportunidade de ficar quieta. Quem sabe, um dia, alguém me descubra. Mas não conto com isso. Expectativas, ainda mais por coisas boas, nunca deram muito certo comigo. E, enquanto esse dia não chega, muitas caminhadas e reflexões solitárias (pois muito me são necessárias) acontecerão e, também, como não poderia deixar de ser, textos tolos e amargos ainda estão por vir.

Ponderei que seria pedante...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

sobre coisas etc.

Esse é um daqueles posts onde eu tenho zero de inspiração, alguns pontinhos de peso na consciência por não escrever há algum tempo e mais uns ainda advindos da necessidade de escrever.

Não que eu tenha prazos, não aqui, né? Afinal, o blog é meu e a gente só escreve quando tá a fim. Isso porque não tem dinheiro em jogo. Caso contrário, se necessário, todo dia estaria aqui um post de, no máximo, 10 linhas, que é o auge da inspiração diária... quando se escreve todo dia.

No momento, sinto como se vivendo num limbo. No geral me sinto bem. Mas acho que isso se deve às mudanças que tenho vivido.

No post anterior comentei sobre uma entrevista de estágio. Ao contrário do que eu pensava, fui aprovada. Ainda estou me adaptando, entendendo melhor o que se passa lá e creio que, se me perguntassem hoje o que eu espero do escritório, já saberia responder com maior propriedade.

E também sinto como se agora e, somente agora eu estivesse com meu caminho mais direcionado. Em relação aos estudos, carreira, tudo. Ao mesmo tempo não vejo muito à minha frente. Menos que um palmo, eu diria. Se é que é possível medir essas coisas.

Enfim a vida é assim, cheia de momentos. Quando percebo, já estou esperando que tudo que está programado, provas a serem feitas, trabalhos a serem entregues, pendências etc., esteja resolvido para que então eu possa respirar e começar a, de fato, viver mais intensamente. Quando digo intensamente, não me refiro a grandes emoções - tô fora! Mas sim desfrutar de cada momento, ter todas as coisas em dia, poder curtir uma boa caminhada, uma boa companhia, uma boa leitura, enfim, ocasiões agradáveis que estão aí, esperando para serem desfrutadas.

Porém não é assim que acontece. Não comigo. As coisas vão acontecendo e nem meu quarto eu consigo manter arrumado, a matéria da faculdade nunca em dia... viagem, congresso, exames, consultas... tudo acontece assim, de uma vez só e sem aviso prévio. Quando vi, já fui e já voltei, já aconteceu e cabe a mim desfrutar dessa confusão diária com a maior calma possível para não desperdiçar as coisas boas que, querendo ou não, surgem no meio desse tropeço que é minha vida.

No fundo eu ainda me imagino ficando "pronta" para aí então viver direitinho.

Mas eu sei que a vida acontece sem pedir licença. E, para terminar este enfadonho texto, coloco aqui o trecho final de uma crônica de Rubem Braga que eu gosto muito, Sobre o amor, etc.:

"No que não convém pensar muito, pois a vida é curta e, enquanto pensamos, ela se vai, e finda."